quarta-feira, 16 de maio de 2018

A história de Osíris, Ísis e Hórus: como o mito influenciou a vida no antigo Egito

Horus, Osiris e Iris



A lenda de Osíris é um dos mitos mais antigos do Egito e foi fundamental para a antiga religião do estado egípcio. Através dele, muitos fatos do cotidiano passaram a ser explicados e legitimados, como o direito ao trono por Hórus e os faraós, as guerras, a vida após a morte e a criação do Grande Adversário, Set.

Osíris: o primeiro deus dos vivos

Antes dos tempos atuais, os deuses caminhavam sobre a Terra junto aos humanos. Nessa Era de Ouro, Osíris se sentou no trono dos deuses e foi o primeiro faraó do mundo dos vivos, governando por muitas eras junto com sua rainha Ísis. Osíris era justo e correto, e com ele o mundo estava em equilíbrio.
Porém, Set, o irmão de Osíris, cobiçou seu trono e o poder sobre o mundo dos vivos, e quis arrancá-lo de seu irmão. Ele então armou um plano para matar Osíris e ficar em seu lugar.
Set construiu uma caixa e lhe pôs uma magia perversa, que faria com que qualquer um que entrasse nela ficasse preso. Então, ele a levou para a grande festa dos deuses, e esperou que Osíris estivesse embriagado para lhe desafiar em uma disputa, onde cada um deveria entrar na caixa, e depois sair usando sua força.
Osíris, seguro de seu poder, mas fraco por causa da bebida, entrou na caixa, e Set rapidamente derramou chumbo derretido nela. Osíris tentou escapar, mas a magia o prendeu e ele morreu. Set então pegou a caixa e atirou-a no rio Nilo, onde ela foi levada para longe.
Set reivindicou o trono de Osíris para si e exigiu que Ísis fosse sua rainha. Nenhum dos outros deuses ousou ficar contra ele, pois ele havia matado Osíris e poderia facilmente fazer o mesmo com eles, então eles se transformaram em animais para se esconder do malvado Set.

O desequilíbrio do mundo e as guerras

Este foi um tempo sombrio, pois ao contrário de seu irmão, Set era cruel e indelicado, não se importando com o equilíbrio de mundo. A guerra dividiu o Egito e já não havia lei durante seu governo, e o povo gritava e implorava para Rá, mas ele não os queria ouvir.
Apenas Ísis se lembrou de seu povo, e não tinha medo de Set. Então, ela procurou em todo o Nilo pela caixa contendo seu amado marido, até que a encontrou presa em uma árvore, que se tornou grande e poderosa por causa dos poderes de Osíris.  
Ísis levou a caixa de volta para o Egito e colocou-a na casa dos deuses. Ela se transformou em um pássaro, voou sobre o corpo sem vida de Osíris e lhe lançou um feitiço. O espírito de Osíris entrou nela e ela concebeu um filho, cujo destino seria vingar seu pai. A criança foi chamada de Hórus, e foi escondida em uma ilha distante, longe dos olhares de seu tio Set.
Ísis então foi até o sábio Thoth e implorou sua ajuda. Ela pediu a ele que usasse mágica para trazer Osíris de volta à vida. Thoth, senhor do conhecimento, sabia que o espírito de Osíris havia partido de seu corpo e estava perdido, e para que ele pudesse voltar a vida, Thoth teria que refazer seu corpo, para que o espírito o reconhecesse e voltasse.
Thoth e Ísis juntos criaram o Ritual da Vida, que permitiria que os seres vivessem para sempre após a morte. Mas antes que Thoth pudesse trabalhar em sua magia, Set os descobriu. Ele roubou o corpo de Osíris e o cortou em vários pedaços, espalhando-os pelo Egito, para que Osíris nunca pudesse renascer.

O ritual da mumificação e embalsamamento

Anúbis embalsamando

No entanto, Ísis não se desesperou, e implorou a ajuda de sua irmã Néftis, para ajudá-la a encontrar os pedaços de Osíris. Elas procuraram por muito tempo, trazendo cada parte para Thoth, e quando todas as peças estavam juntas, Thoth foi até Anúbis, senhor dos mortos.
Anúbis costurou os pedaços juntos, lavou as entranhas de Osíris, embalsamou-o, enrolou-o em linho e lançou o Ritual da Vida. Quando a boca de Osíris foi aberta, seu espírito entrou e ele viveu novamente.

O julgamento dos mortos

Reino dos mortos

No entanto, nada que tenha morrido, nem mesmo um deus, poderia habitar a terra dos vivos. Então Osíris foi o mundo inferior, onde Anúbis lhe entregou o trono, tornando-o senhor dos mortos. Lá ele é responsável pelo julgamento sobre as almas dos falecidos, levando os justos para a terra abençoada, e condenando os perversos.
Quando Set soube que Osíris estava novamente vivo, ele ficou irado, mas sua raiva diminuiu, pois ele sabia que Osíris jamais poderia voltar para a terra dos vivos. Sem Osíris, Set acreditava que ele se sentaria no trono dos deuses por toda a eternidade. No entanto, enquanto isso, Hórus crescia com valentia e força, escondido na ilha. Quando ele ficou preparado, sua mãe lhe deu uma forte magia para usar contra Set, e Thoth o presenteou com uma faca mágica.

O direito ao trono pelos faraós

Hórus procurou Set e desafiou-o para o trono. Set e Hórus lutaram por muitos dias, mas no final Hórus o derrotou, mas não o matou, pois derramar o sangue de seu tio não o faria melhor que ele.
Ambos reivindicaram o trono, e os deuses começaram a lutar entre si, com uns apoiando Hórus, e outros à Set. Para que o mundo não ficasse mais desequilibrado, os deuses foram procurar o conselho do sábio Neith, que afirmou que Hórus era o legítimo herdeiro do trono. Hórus então mandou Set para a escuridão e governou o Egito. Durante todo o reino egípcio, os faraós legitimaram seu direito ao trono, por serem o próprio Hórus-vivo.
Assim, essa história conta como Hórus cuidou de seu povo durante a vida, e seu pai, Osíris, julga os mortos e os cuida durante sua próxima vida.
Enquanto isso, Set eternamente se esforça por vingar-se, lutando contra Hórus em todas as eras. Quando Hórus vence, o mundo fica em paz, e quando Set vence, há guerras, crise e fome. Porém, os egípcios não se desanimavam, pois sabiam que os tempos sombrios não duravam para sempre, e os raios de Hórus brilhariam mais uma vez.

As "grandes histórias" do mundo

O mito de Osíris é considerado pelo grande autor britânico Neil Gaiman uma das "Grandes Histórias" do mundo. Essas Grandes Histórias fazem parte da experiência humana e elas nunca mudam, exceto em sua forma mais superficial. Seus detalhes pode ser modificados dependendo de quem conta a história, e os personagens podem ter nomes diferentes, mas fundamentalmente, ainda é a mesma história.
Uma versão do mito de Osíris existe em todas as culturas: o rei justo é assassinado por seu irmão cruel, apenas para ser vingado pelo príncipe que segue os passos de seu pai. Às vezes, o rei morto é recompensado por seus modos corretos em sua próxima vida.
Podemos encontrar outras versões da história de Osíris em civilizações próximas, como os gregos e romanos, no longínquo Japão e na China, no cristianismo, e até mesmo em Shakespeare, onde o príncipe vingador se chama Hamlet.
Essa história, assim como muitas outras "grandes histórias", faz parte de um inconsciente coletivo, sendo reproduzida nas mais distintas culturas, como forma de dar uma explicação para os fatos da vida.

Fonte: www.hipercultura.com

quinta-feira, 3 de maio de 2018

William Blake



William Blake (Londres, 28 de novembro de 1757 — Londres, 12 de agosto de 1827) foi um poeta, tipógrafo e pintor inglês, sendo sua pintura definida como pintura fantástica.
Blake viveu num período significativo da história, marcado pelo iluminismo e pela Revolução Industrial na Inglaterra. A literatura estava no auge do que se pode chamar de clássico "augustano", uma espécie de paraíso para os conformados às convenções sociais, mas não para Blake que, nesse sentido era romântico, "enxergava o que muitos se negavam a ver: a pobreza, a injustiça social, a negatividade do poder da Igreja Anglicana e do estado."

Infância

Blake nasceu na "28ª Broad Street", no Soho, Londres, numa família de classe média. Seu pai era um fabricante de roupas e sua mãe cuidava da educação de Blake e seus três irmãos. Logo cedo a bíblia teve uma profunda influência sobre Blake, tornando-se uma de suas maiores fontes de inspiração.
Desde muito jovem Blake dizia ter visões. A primeira delas ocorreu quando ele tinha cerca de nove anos, ao declarar ter visto anjos pendurando lantejoulas nos galhos de uma árvore. Mais tarde, num dia em que observava preparadores de feno trabalhando, Blake teve a visão de figuras angelicais caminhando entre eles.
Com pouco mais de dez anos de idade, Blake começou a estampar cópias de desenhos de antiguidades Gregas comprados por seu pai, além de escrever e ilustrar suas próprias poesias.

Aprendizado com Basire

Em 4 de agosto de 1772, Blake tornou-se aprendiz do famoso estampador James Basire. Esse aprendizado, que estendeu-se até seus vinte e um anos, fez de Blake um profissional na arte. Segundo seus biógrafos, sua relação era harmoniosa e tranquila.
Dentre os trabalhos realizados nesta época, destaca-se a estampagem de imagens de igrejas góticas Londrinas, particularmente da igreja Westminster Abbey, onde o estilo próprio de Blake floresceu.

Aprendizado na Academia Real Inglesa

Em 1779, Blake começou seus estudos na Academia Real Inglesa, uma respeitada instituição artística londrina. Sua bolsa de estudos permitia que não pagasse pelas aulas, contudo o material requerido nos seis anos de duração do curso deveria ser providenciado pelo aluno.
Este período foi marcado pelo desenvolvimento do caráter e das ideias artísticas de Blake, que iam de encontro às de seus professores e colegas.

Casamento

Em 1782, após um relacionamento feliz que terminou com uma recusa à sua proposta de casamento, Blake casou-se com Catherine Boucher. Blake ensinou-a a ler e escrever, além de tarefas de tipografia. Catherine retribuiu ajudando Blake devotamente em seus trabalhos, durante toda sua vida.

Trabalhos

Dante e Virgílio nos portões do Inferno, A Divina Comédia

Blake escreveu e ilustrou mais de vinte livros, incluindo "O livro de Jó" da Bíblia, "A Divina Comédia" de Dante Alighieri - trabalho interrompido pela sua morte - além de títulos de grandes artistas britânicos de sua época. Muitos de seus trabalhos foram marcados pelos seus fortes ideais libertários, principalmente nos poemas do livro Songs of Innocence and of Experience ("Canções da Inocência e da Experiência"), onde ele apontava a igreja e a alta sociedade como exploradores dos fracos.
No primeiro volume de poemas, Canções da inocência (1789), aparecem traços de misticismo. Cinco anos depois, Blake retoma o tema com Canções da experiência estabelecendo uma relação dialética com o volume anterior, acentuando a malignidade da sociedade. Inicialmente publicados em separado, os dois volumes são depois impressos em Canções da inocência e da experiência - Revelando os dois estados opostos da alma humana.
William Blake expressa sua recusa ao autoritarismo em Não há religião natural e Todas as religiões são uma só, textos em prosa publicados em 1788. Em 1790, publicou sua prosa mais conhecida, O matrimônio do céu e do inferno, em que formula uma posição religiosa e política revolucionária na época: "a negação da realidade da matéria, da punição eterna e da autoridade"
(...) Ver o mundo em grão de areia
e o céu em uma flor silvestre,
sustentar o infinito na palma da mão
e a eternidade em uma hora.(...)
"Augúrios de Inocência"
Apesar de seu talento, o trabalho de gravador era muito concorrido em sua época, e os livros de Blake eram considerados estranhos pela maioria. Devido a isto, Blake nunca alcançou fama significativa, vivendo muito próximo à pobreza.

Principais obras

Satã observando o amor de Adão e Eva, Mus. de Belas-Artes - Boston

Poetical Sketches (1783)
There is no Natural Religion (1788)
All Religions Are One (1788)
Songs of Innocence (1789)
Book of Thel (1789)
The French Revolution: A Poem in Seven Books (1791)
Original Stories from Real Life, de Mary Wollstonecraft (1791) (ilustrações)
A Song of Liberty (1792)
The Marriage of Heaven and Hell (1793)
Visions of the Daughters of Albion (1793)
America, A Prophecy (1793)
Songs of Experience (1794)
Songs of Innocence and of Experience (1794)
Europe, a Prophecy (1794)
The Book of Urizen (1794)
The Song of Los (1794)
The Book of Ahania (1795)
The Book of Los (1795)
Night Thoughts, de Edward Young (1797) (ilustrações)
Milton (1804)
The Grave, de Robert Blair (1808) (ilustrações)
Everlasting Gospel (1818)
Jerusalem (1820)
The Ghost of Abel (1822)
Dante's Divine Comedy (1825) (ilustrações)
O livro de Jó da Bíblia (1826) (ilustrações)
O Fantasma de uma Pulga (pintura)

Morte

Monumento próximo ao túmulo sem marca de Blake

No dia de sua morte, Blake trabalhava exaustivamente em A Divina Comédia de Dante Alighieri, apesar da péssima condição física que culminaria no seu fim. Seu funeral, bastante humilde, foi pago pelo responsável pelas ilustrações do livro, e apesar de sua situação financeira constantemente precária, Blake morreu sem dívidas.
Hoje Blake é reconhecido como um santo pela Igreja Gnóstica Católica, e o prêmio Blake Prize for Religious Art (Prêmio Blake para Arte Sacra) é entregue anualmente na Austrália em sua homenagem.
Referências
 "Um profeta obscuro e genial." Por José Antônio Arantes, bacharel em língua e literatura pela USP - tradutor, entre outros, dos autores Virginia Woolf (Nova Fronteira), William Blake e James Joyce (Iluminuras).
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William Blake, o estranho que virou santo Parana-online - consultado em 10 de outubro de 2010

Traduções

1. O Fantasma de Abel/The Ghost of Abel, Juliana Steil (trad.), (n.t.) Revista Literária em Tradução, nº 1 (set/2010), Fpolis/Brasil, ISSN 2177-5141

Ligações externas


quinta-feira, 29 de março de 2018

QUINTA-FEIRA SANTA: DIA DE JÚPITER



A saída de Judas revela que seu gênio bom, seu verdadeiro Eu, o abandonou; Judas realmente encontra, lá fora, o Anjo da Morte. Espíritos arimânicos o transformam em seu instrumento. A saída do Cristo é imagem do livre derramamento da alma que, desde a origem, foi portadora, no cosmos, da idéia de sacrifício.


Quinta-feira Santa – Dia de Júpiter



Duas vezes por ano uma quinta-feira se destaca com uma luz singularmente festiva no decurso do ano: o dia que precede a sexta-feira santa e o dia da Ascensão. Embora pertencente à semana mais séria do ano, a quinta-feira santa se relaciona misteriosamente com a outra quinta-feira, seis semanas mais tarde, quando toda a natureza primaveril já se desenvolveu em luz e perfume emitidos pelas flores. Não seria a quinta-feira santa ocultamente uma segunda véspera de Natal? Sua luz misteriosa é a do crepúsculo que precede as trevas da sexta-feira santa, mas é também, mais ainda, a aurora da Páscoa.




Após ultrapassarmos o meio da semana santa, após os três primeiros dias repletos com a ruidosa e dramática luta com o ambiente, incompatível com o Cristo, desce o silêncio. Na noite da quinta-feira santa penetramos na esfera do silêncio sagrado. De repente, o barulho cede ao silêncio. De dia, os ruídos do povo em movimento nas ruas, milhares de peregrinos a comprar e a discutir atingiram seu auge.




Depois, pouco antes do ocaso do sol, esfera purpúrea, e enquanto nascia do outro lado, a enorme lua cheia prateada, as trombetas do templo deram o sinal para o início dos preparativos. Inicia-se a noite do Passah durante a qual os fiéis da Velha Liga se preparam para o sábado de Passah que se iniciará na noite seguinte. Cessa o barulho retumbante. Nas casas logo se reúnem os parentes ao redor das mesas a fim de comerem o cordeiro pascal. As ruas ficam subitamente vazias. Desce um silêncio oprimente. É a magia da noite de Passah, na qual circula, como outrora no Egito, o Anjo Exterminador.




Jesus com seus discípulos também se retira para a sala onde terão a ceia do Passah. Os destinos querem que o silêncio desta sala seja múltiplo, já que ela se encontra em uma casa que não é uma habitação privada, mas serve de convento a um círculo sagrado dos esseus. A ordem dos esseus tem ai sua sede em local sagrado e antiqüíssimo, no Monte Sion, onde há milênios, antes da história da Velha Liga ler o seu centro neste lugar, já existia um antiqüíssimo santuário da humanidade. Em local muito antigo e sagrado encontra-se o cenáculo que os irmãos esseus deixam à disposição de Jesus e seus discípulos para a véspera do Passah.




Diretamente em frente também em uma localização tradicional e antiqüíssima, encontra-se a casa de Kaifas, casa-matriz da ordem dos saduceus. Lá também se reúne um grupo para comemorar o Passah. São os inimigos cheios de ódio, quase incapazes de pensar na festa vindoura, pois estão sendo movidos por um plano de ódio e inimizade. Forçosamente, a luta está suspensa.




É preciso aguardar até depois da hora sagrada. E os num inimigos, eles próprios ordenam: “Procurem agarrá-lo, mas não antes da festa. Na sala onde estão reunidos Jesus e seus discípulos, cumpre-se o 23° salmo: “Preparas diante de mim uma mesa, à vista de meus inimigos”. Desceu o silêncio, é verdade, mas a fatalidade sombria da noite de Passah se incorpora nos espectros noturnos daqueles outros comensais, na casa vizinha.




O que há sobre a mesa ao redor da qual se instalaram Jesus e os discípulos? Este grupo também obedece à velha lei e cumpre a tradição. Foi preparado o cordeiro pascal. Jesus se prepara com os discípulos a comê-lo, recordando devotamente o sacrifício do cordeiro que, na época de Moisés, fora o sinal pelo qual o povo judeu foi libertado da escravidão.




Mas o cordeiro pascal na mesa deste Cenáculo adquire um sentido modificado. A mesa está sentado aquele do qual João Batista pôde dizer: “Eis o cordeiro de Deus, que assume (carrega) os pecados do mundo”. Em nenhum outro lugar àquela hora, nem antes, nem depois, o cordeiro pascal esteve tão próximo daquele que simboliza. Através de milênios a ceia do cordeiro pascal foi um costume profético. Agora, eis que a profecia se cumpre, logo o apóstolo Paulo poderá dizer: “Nós também temos um cordeiro pascal. É o Cristo que se sacrifica por nós”. (1º Cor. 5,7)! No Cenáculo encontram-se a profecia e seu cumprimento. A sala está cheia de pesado pressentimento. Pesam no ar a separação e a tragédia. O sacrifício do Cristo já lança antecipadamente sua sombra. O consciente dos discípulos passa por uma dura prova.




Através do cordeiro pascal sobre a mesa, esta cena inclui a reminiscência dos antigos sacrifícios sangrentos; atua a magia do sangue, que é o sentido de todos os sacrifícios sangrentos da época pré-cristã. O sentido dos antigos sacrifícios residia no seguinte fato: o fluxo do sangue fresco de animais sacrificais puros possuía a força de induzir as almas humanas – ainda não tão ligadas o corpo – em alienação extática, de modo que forças divinas do além podiam refletir-se nas condições humanas.




No Cenáculo do Monte Sion o velho sacrifício perde definitivamente o seu sentido. Agora, o mais alto ser divino veio, ele próprio, do além para a terra. O cordeiro perde seu significado próprio e passa a ser apenas a imagem, o reflexo do mistério do Cristo presente. O antigo sacrifício sangrento torna-se definitivamente supérfluo. A força que antigamente se tentava – cada vez com menor sucesso – atrair do além pelo sacrifício do sangue, está presente agora para se ligar inseparavelmente com o mundo terreno. O cordeiro pascal não pode mais ser um meio mágico, pois na própria existência terrena forma-se um núcleo de germinação e brotação de forças celestes. O cordeiro se transforma em puro símbolo do amor divino que se sacrifica.




Na mesa da Santa Ceia não vemos, entretanto, apenas o cordeiro pascal. Há também, incidentalmente, pão e vinho. E, após cumprirem a velha tradição da ceia do Passah, os discípulos se admiram ao verem o Cristo tomar em mãos os símbolos, presentes por acaso, do comer e beber e adicionar à ceia do Velho Testamento uma nova refeição. Algo de totalmente novo, inesperado, acontece quando ele oferece aos discípulos o pão e o vinho, dizendo: “Tomai, pois este é meu corpo e este é meu sangue”. Em realidade, estes símbolos não estão na mesa por acaso. Da penumbra de mistérios ocultos surge à luz aquilo que sempre já existira na humanidade. No exterior dos velhos templos havia sacrifícios sangrentos oferecidos em presença do povo; do mesmo modo, ao abrigo esotérico de certos santuários que cultivavam os mistérios solares, sempre houve pão e vinho como os verdadeiros símbolos do deus do sol. No mesmo local onde o grupo está agora reunido para a ceia, dois mil anos antes, nas grutas rochosas onde estavam agora sepultados os Reis e Davi, existira o santuário de Melquisedeque, o supremo iniciado solar. Melquisedeque levara pão e vinho para oferecê-los, no Vale do Kidron, a Abraão, que regressava vitorioso.




Mas pão e vinho jamais puderam representar, mesmo rios templos dos mistérios pré-históricos, a função que adquirem neste momento. Sempre foram apenas símbolos do deus do sol que os veneradores tinham que procurar em outras esferas. Agora, no entanto, são mais do que símbolos. No Cristo está presente o próprio alto espírito solar, e ele pode dizer, ao oferecer o pão: “Este é meu corpo” e, ao oferecer o cálice: “Este é meu sangue”. Sua alma, ao oferecer-se, penetra no pão e no vinho. Pão e vinho se iluminam na semi-escuridão. São envolvidos em um brilho dourado, em uma luminosa aura solar, ao se transformarem no corpo e no sangue do próprio espírito do sol. Todos os mistérios solares da pré-história foram apenas profecias. Neste momento estão sendo cumpridas. Na passagem dos sacrifícios sangrentos da pré-história para o sacrifício sem sangue do pão e do vinho ocorre, para toda a humanidade, a decisiva interiorização da idéia de sacrifício: todos os sacrifícios antigos eram materiais, agora esta fundado o sacrifício da alma. Inicia-se na prática do sacrifício um fluxo de verdadeira interiorização. São despedidos os sacrifícios lunares da pré-história e substituídos pelo sacrifício solar. O Cristianismo, verdadeira religião solar, encontra nesta noite sua aurora.




O Cristo não apenas liga a velha ceia à nova; antes e depois da ceia executa atos importantes, de modo que surge um todo de quatro partes. Pela primeira vez reluz a lei que, doravante, será sempre renovada e revelada nas quatro partes do sacramento cristão central. Antes de comer o cordeiro pascal, Jesus pratica o ato do amor simples, inesgotável e indescritível do lava-pés. Obedecendo e elevando um rito comum na ordem dos esseus, ele se abaixa e lava os pés de cada discípulo, inclusive de Judas. Surge uma imagem comovente daquilo que de fato está ocorrendo: o Cristo se dá aos seus, totalmente, com amor. A morte na cruz selará essa dedicação.




Tal como introduziu as duas ceias com o lava-pés, assim também as encerra. Acompanhando o costume praticado nesta hora em todas as casas, segundo o qual, terminada a refeição do Passah, os pais de família liam ou recitavam a Hagada, a tradicional história do povo sob forma de lendas, o Cristo também faz seguir-se à ceia um ensinamento. Ternos no evangelho de João a mais maravilhosa reprodução de suas palavras de despedida, que culminam com a oração.




São quatro as etapas atravessadas: lava-pés, cordeiro pascal, pão e vinho e discursos de despedida. Ao lavar Jesus os pés dos discípulos, estes parecem já experimentar a mais íntima comunhão das suas almas com a alma de Cristo. Mas, em realidade, o lava-pés nada mais é do que o último resumo simbólico de todos os ensinamentos que Cristo deu a seus discípulos. Por isso, ele lhes diz: “Dou-vos uma nova lei: amai-vos uns aos outros.” O lava-pés é, de certo modo, a ultima parábola aos discípulos parábola que já não foi falada, mas praticada. O amor é a meta final da doutrina que o Cristo lega aos discípulos.




Após a leitura do Evangelho, feita em total devoção de alma, comer o cordeiro pascal é a etapa do ofertório. Surge a imagem do sacrifício: Cristo – o cordeiro sacrifical que morrerá na cruz no dia seguinte pela humanidade.




Segue-se a terceira etapa: Cristo oferece aos discípulos pão e vinho. Pela primeira vez realiza-se então o mistério da transubstanciação, terceira parte do sacramento, após a leitura do Evangelho e o ofertório. O celeste transpenetra o terreno, o espiritual reluz na matéria. Como uma estrela fulgurante revela-se o sol da Transubstanciação que, mais tarde, atingirá seu pleno brilho.




Na quarta parte, nos discursos de despedida, parece que o Cristo dá aos discípulos apenas ensinamentos e instruções para seus caminhos. Em realidade, no entanto, ele se transmite a si mesmo da mais íntima maneira possível. Estas palavras, que captam o eco espiritual da Santa Ceia são, mais ainda do que pão e vinho, corpo e sangue do Cristo. Nelas, a alma do Cristo se oferece a mais intima comunhão e reunião com as almas dos discípulos. Mas os discípulos só ouvem estas palavras como em sonho. Só há um deles, João, próximo ao coração de Jesus, capaz de ouvir o que fala o coração de Cristo e, por isso mesmo, capaz de preservar para a humanidade, em seu evangelho, uma replica desse momento.




O grande sacramento, de quatro partes, dessa hora, está repleto do amor cósmico que se difunde, que jorra do coração do Cristo. A plenitude da palavra do Cristo forma o final, nos discursos de despedida, e este fato abre uma porta luminosa para o futuro da humanidade. O Cristo do qual parte o fluxo de amor cósmico fala, ao mesmo tempo, como alto espírito da Sabedoria. É como se Júpiter, deus da sabedoria, reaparecesse entre os homens sob uma forma nova.




O santo grupo de comensais é dissolvido de modo dramático. O costume do Passah e a rigorosa lei proibiam que se saísse à rua nesta noite. Quem o fizesse encontraria o Anjo Exterminador. As ruas ficavam vazias. Não obstante, em determinado momento, vemos alguém sair; nada o reteve após ter recebido sua parte da refeição da mão de Jesus. O evangelho de João adiciona: “era noite”. Em seu interior também reinava a noite; Satanás penetrou nele nesse instante. Judas vai à casa em frente, onde o círculo de Kaifás também cumpre o rito da ceia pascal, mas estão ansiosamente dispostos para as negociações que Judas pretende fazer com eles.




Judas falhou diante do mistério do sacramento. Já na véspera fora tomado pelo demônio da inquietação quando na casa em Bethânia espalhou-se o ambiente sacramental. No cenáculo deparou-se pela segunda vez com a substância do sacramento. Não tem em si a quietude que lhe permitiria aceitar a paz como bênção do sacramento. E, portanto, aquilo que poderia oferecer-lhe paz o precipita no mais alto grau da ausência da paz, na perda arimãnica do Eu, na alienação possessa.




Mais uma vez é rompida a proibição do Passah. Assustando os discípulos, Jesus se ergue e lhes faz sinal para segui-lo. Saem para a noite escura. A luz clara da lua se apagara quase totalmente. Houvera um eclipse. A lua no céu parecia uma esfera cor de sangue. As rajadas frias que acompanham a despedida do inverno começam a soprar quando Jesus chega com seus discípulos a Getsemane.




A dupla saída* é imagem de processos interiores. A saída de Judas revela que seu gênio bom, seu verdadeiro Eu, o abandonou; Judas realmente encontra, lá fora, o Anjo da Morte. Espíritos arimânicos o transformam em seu instrumento. A saída do Cristo é imagem do livre derramamento da alma que, desde a origem, foi portadora, no cosmos, da idéia de sacrifício (ofertório. Quando Judas sai, a escritura diz “era noite”. É noite também na alma de Judas. Quando sai o Cristo, podemos dizer “era dia”. Um fulgor dourado se mistura a noite tenebrosa. Um mistério solar envolve o Cristo quando ele desce com os discípulos pelo mesmo caminho pelo qual Melquisedeque dois mil anos antes levara pão e vinho. Um sol brilha em plena noite. Por isso pode acontecer mais tarde que o Cristo subjuga o Anjo Exterminador em Getsemane.




A luz solar que os homens viram brilhar no ser do Cristo no domingo de Ramos já penetrou em camadas muito mais profundas. Ninguém o percebe. Não obstante, o mundo recebe uma nova luz nesta noite santa, que mais é uma véspera da Páscoa do que véspera de sexta-feira da Paixão. No dia da Ascensão, outra quinta-feira, seis semanas mais tarde, o germe de luz cujo crescimento começa no cenáculo já terá adquirido ou onipresença terrena e força cósmica.


Emil Bock

sábado, 24 de março de 2018

História do Rosacrucianismo

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A Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis, AMORC, é uma organização internacional de caráter místico-filosófico, não sectária e sem fins lucrativos, que reúne fraternalmente homens, mulheres, jovens e crianças no mesmo ideal: o aperfeiçoamento intelectual, psíquico e espiritual. Tradicionalmente é considerada a mais antiga fraternidade do mundo, sendo o prolongamento da Fraternidade criada pelo Faraó Tutmés III em 1503 a. C. e que se destinava a estudar, experimentar e praticar os mais altos princípios da natureza, do homem e do universo, em contraste com as crenças supersticiosas que estavam difundidas entre o povo da época. A Escola de Faraó
Tutmés III se aperfeiçoou sob a gestão de seu neto, o Faraó Akhenaton (1353 a.C.) considerado o primeiro Grande Mestre tradicional da Ordem Rosacruz, por ter aperfeiçoado seu sistema de leis, princípios filosóficos e ritualísticos. É a partir da data geral do reinado deste Faraó que se conta o Ano Rosacruz. A Ordem Rosacruz está, portanto, no Ano 3369, sempre comemorado em Março.

É relevante destacar que Akhenaton é considerado pelos historiadores modernos como a “primeira personalidade da história”, por ter sido o primeiro ser humano a pregar a existência de um só Deus no Universo, em contraste ao politeísmo da época. É reconhecido, portanto, como o fundador do Monoteísmo. Este Faraó também revolucionou a cultura, a ciência e as artes do Egito durante seu reinado.

Desde Akhenaton a Ordem Rosacruz se desenvolveu, expandindo-se para a Ásia e e Europa. O nome “Rosacruz” só veio mais tarde, no século XVI. A Ordem sempre perpetuou sua herança, aperfeiçoando-a conforme as pesquisas realizadas, em todos os campos, pelos seus membros, dentre eles pessoas eminentes como Leonardo Da Vinci, Paracelso, Francis Bacon, Jacob Boehme, René Descartes, Baruch Spinoza, Gottfried von Leibniz, Isaac Newton, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, Erik Satie etc.
Em 1915 a Organização foi reativada na América do Norte, a partir da França, adotando o nome de AMORC (Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis), que é uma abreviatura do nome antigo e em latim da organização: Antiquus Arcanus Ordo Rosae Rubeae et Aureae Crucis (Antiga e Arcana Ordem da Rosa Rubra e da Cruz Dourada).
O revitalizador da Ordem nos EUA foi o jornalista, publicitário, filósofo, cientista, artista plástico e humanitário Harvey Spencer Lewis. A partir de sua gestão, a Ordem se desenvolveu de forma unificada, atingindo sua dimensão atual. Atualmente, a AMORC se estende pelo mundo todo, com cerca de 200.000 rosacruzes ativos. Sendo uma Organização não-sectária, apolítica e sem fins lucrativos, humanitária e global, em seu quadro de estudantes encontram-se pessoas de praticamente todas as raças, culturas, religiões, linhas filosóficas, idades e de ambos os sexos, trabalhando de forma livre em prol de um mundo mais pacífico e melhor. Na Ordem encontram-se, inclusive, clérigos, como padres, rabinos, monges e pastores, e até mesmo agnósticos. A Ordem forma livres pensadores.
A Ordem Rosacruz também pode ser considerada a primeira Fraternidade a considerar a mulher em plena igualdade com os homens, pois desde seu surgimento o sexo feminino gozou de todos os privilégios, incluindo o de cargos, iguais aos do sexo masculino. Aliás, a primeira Grande Mestre da AMORC para o Brasil foi a Soror (Irmã) Maria A. Moura. Graças à sua dinâmica gestão, a Ordem desabrochou no Brasil.
A Ordem possui milhares de Organismo afiliados espalhados pelo orbe, geridos por 13 Grandes Lojas e sete Administrações regionais. Cada Grande Loja e Administração regional é controlada por um Grande Mestre, congregando estudantes de uma mesma língua e se responsabilizando pela difusão dos ensinamentos rosacruzes em determinada parte do globo. O presidente mundial da AMORC, conhecido pelo título tradicional de Imperator, é o francês Christian Bernard.
A Ordem também mantém uma universidade interna, a Universidade Rose-Croix Internacional, formada por rosacruzes com nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado, que efetuam pesquisas em diversos ramos do saber humano, como Filosofia, Física, Geologia, Astronomia, Psicologia etc. aproximando o saber rosacruz das mais relevantes descobertas da ciência. Tais pesquisas mantêm a Ordem atualizada e mesmo na vanguarda do conhecimento humano. De especial preocupação para a Ordem Rosacruz é a juventude. Para tanto, instituiu já no início do século XX, nos EUA, a Ordem Rosacruz Juvenil, ORCJ. Destinada a crianças e jovens, promove no mais alto grau o despertar do potencial interior, através da instrução e da experiência vivenciada, desenvolvendo nos pequenos uma visão mais abrangente de si mesmos, do mundo e da vida.
A AMORC foi também pioneira na estruturação de um sistema de ensino à distância, operando com ele a partir dos primeiros decênios do século XX, o que se mantém até hoje. Os estudantes da Ordem recebem Monografias mensais com os assuntos tratados nos ensinamentos. Entre estes, constam: filosofia, psicologia, ontologia, concentração, meditação, visualização, relaxamento, cura, leis da matéria, da vida e do universo etc. É importante destacar que todos esses assuntos têm uma dimensão prática, ou seja, é oferecida uma forma do estudante comprovar a realidade do que a Ordem afirma, por meio de experiências práticas.
O símbolo da Ordem, uma cruz dourada com uma única rosa semidesabrochada no centro; não tem caráter religioso, mas filosófico, visto que a cruz é um símbolo ancestral da humanidade constante em toda as culturas, sob diversas formas. A Cruz Rosacruz tem um significado filosófico e psicológico e representa: a cruz, o corpo físico e o plano material, onde se processa a evolução da consciência do homem; esta evolução gradativa da mente é simbolizada pela rosa desabrochando no centro da cruz, no centro da experiência humana.

A AMORC difunde, enfim, a Sabedoria esotérica da humanidade. Esse Conhecimento Especial esteve sob estrita proteção no passado, devido à intolerância política e religiosa. Felizmente, devido à abertura das consciências e maior tolerância pela diferença, desde o início do século XX essa Sabedoria é dispensada livremente, em caráter discreto, não secreto, aos seus afiliados.
A AMORC chegou no Brasil em maio de 1956, tendo como primeiro Grande Mestre a já citada Maria A. Moura. Em novembro de 1990, sob a gestão do Grande Mestre Charles Vega Parucker, e por decisão da Suprema Grande Loja, presidida pelo já citado Christian Bernard, esta Grande Loja tornou-se Grande Loja para os Países de Língua Portuguesa, GLP. Atualmente a GLP é dirigida pelo Grande Mestre Hélio de Moraes e Marques.

A sede da Ordem Rosacruz de Língua Portuguesa está, desde 1960, em Curitiba, Paraná, Brasil, compreendendo Rosacruzes do Brasil, Portugal e Angola. A Ordem possuí 280 Organismos Afiliados em todos os estados do país, contando ainda com duas sedes em Portugal e uma em Angola. Esta Grande Loja conta com um numero ativo flutuante de 20.000 membros.
A Grande Loja para os Países de Língua Portuguesa da AMORC é reconhecida como de Utilidade Pública Municipal, Lei 3.045 de 21 de setembro de 1967; Estadual, Lei 5812 de 19 de julho de 1968; e Federal, por meio do Decreto de 28 de fevereiro de 1999, assinado pelo então Exmo. Sr. Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. A Ordem é ainda registrada no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, 28 de novembro de 1995.

Muitos dos Organismos Afiliados da Grande Loja são reconhecidos como de Utilidade Pública Municipal.
A AMORC vem contribuindo consideravelmente para a cultura e o enlevo da sociedade. No Brasil, isso se dá pelas estruturas mantidas pela Grande Loja de Língua Portuguesa, através de seu Centro Cultural, que comporta Museu, Biblioteca, Auditório, Salas de Conferência e Espaço de Arte, que recebem milhares de turistas e estudantes todos os anos. Colabora a Ordem para a cultura também por meio das atividades locais de seus Organismos Afiliados, realizadas durante o ano todo. Tanto a sede como as afiliadas dispensam continuamente campanhas culturais, sociais e filantrópicas em todo o território nacional, bem como em Portugal e Angola.
A Ordem Rosacruz tem incansavelmente trabalhado pelo desenvolvimento integral do ser humano, possibilitando uma vida de mais paz, amor e solidariedade a milhares. Por reflexo, tem transformado a sociedade por meio de seus membros, que, onde quer que estejam, e quem quer que sejam, convertem-se em focos irradiadores de bondade, benemerência, cultura e espiritualidade.
A Missão da AMORC está assim definida na língua portuguesa:
“A Ordem Rosacruz, AMORC é uma organização internacional de caráter místico-filosófico, que tem por missão despertar o potencial interior do ser humano, auxiliando-o em seu desenvolvimento, em espírito de fraternidade, respeitando a liberdade individual, dentro da Tradição e da Cultura Rosacruz.”


Fonte: www.amorc.org.br